Maria José da Conceição Andrade nasceu em 14 de março de 1952, numa pequena casa de taipa às margens do Rio São Francisco, no interior de Pernambuco. Era a quarta de nove filhos de um pescador e uma rendeira, e desde cedo aprendeu que a vida no sertão se faz de teimosia e engenho. Aos sete anos, já ajudava a mãe a vender rendas na feira de Petrolândia, enrolando os fios de bilro com uma destreza que impressionava as freguesas. Foi nessa feira que descobriu o gosto pelos números: contava o troco mais rápido que qualquer adulto e nunca se enganava. Um professor aposentado que passava por ali, seu Joaquim, notou o talento e passou a lhe emprestar livros velhos em troca de algumas rendas. Contra a vontade do pai, que achava estudo "coisa de gente rica", Maria José aprendeu a ler praticamente sozinha, à luz de lamparina, depois que todos dormiam. Aos dezessete anos, mudou-se para Recife levando uma mala de papelão e uma carta de recomendação de seu Joaquim. Trabalhou como costureira de dia e estudou à noite, terminando o antigo ginásio aos vinte e três anos.
